Redes Sociais matam a criatividade e escondem a diversidade!

É exatamente isso que o título fala, ou quase. Quando falo que as 'redes sociais' estão matando a criatividade e a diversidade, estou me referindo ao algoritmo.


A forma com que um programa é desenhado para uso humano acaba aprendendo com as preferências do usuário, bem como entende o uso em geral da plataforma. Como humanos que vivem em sociedade com padrões de beleza e comportamento normativos, é apenas natural que a Inteligência Artificial aprenda com as nossas preferências estruturadas interna e socialmente o que é 'bonito e agrada'.


Como os sistemas de desenvolvimento de algoritmos são baseados em 0 e 1, se a maioria das pessoas acha 'bonito e agradável' conteúdo de uma mulher padrão (leia-se branca, magra, olhos claros, simétrica), logo a plataforma ou aplicativo da muito mais alcance para esse tipo de posts, pois gera mais engajamento e mais tempo do usuário no app. Em contrapartida, se uma foto de mesma qualidade técnica tem uma mulher fora do padrão (mesmo que seja apenas um dos quesitos a cima), e essa recebe menos engajamento, esse conteúdo perde força e nem chega em novas pessoas. Desta forma, toda a estrutura do programa só está reforçando normatividades e mantendo mais do mesmo (muito por causa de como nós ensinamos ele).


Fica aqui uma dica de leitura sobre algoritmo racista.

https://piaui.folha.uol.com.br/o-algoritmo-e-racismo-nosso-de-cada-dia/


Agora, como isso afeta a criatividade?

Quando uma rede social te mostra -em números-, o que faz sucesso, o que gera mais engajamento, mais seguidores e você quer crescer nela para (quem sabe) ter mais clientes (afinal números são importantes para muitos clientes e marcas), é aí que a arte de criar se perde.

Isso se torna ainda mais evidente quando um artista tenta trazer algo fora do padrão, pois o próprio algoritmo já entende que não é uma foto (digamos) tão interessante, já diminui o alcance da mesma e acaba sabotando antes mesmo de ter uma chance de ser significante e chegar em quem aprecia esse tipo de foto, por exemplo.


O que acontece quando você se esforça para criar uma obra e ela não tem a repercussão esperada? Por mais que você goste dela, a tendência é não insistir em postar algo que não traga números (likes, compartilhamento, salvar).


Ao mesmo tempo que se expressar de forma única e trabalhar sua autoria imagética pode ser muito gratificante, a falta de reconhecimento por isso é muito frustrante. Então a zona de conforto mantém -mesmo sem perceber- grande parte dos produtores de conteúdo visual andando em circulos.


Mas aí caímos em outro problema, quando tudo é muito igual se torna difícil se destacar, afinal é - literalmente- só mais um (imagem auto-explicativa a baixo). E chega em um ponto que o artista se pergunta, pra que(m) eu to fazendo isso? Por que se destacar fica cada vez mais dificil e seguir um caminho autoral não parece uma opção.



Pois bem, eu diria que se o fotógrafo quer ser artista e imprimir a sua visão de mundo ou expressar seus sentimentos, ele vai precisar se desapegar. Existe a possibilidade de encontrar um equilibrio e alimentar a plataforma de forma que ela não te faça desaparecer, e ainda sim fazer o que você quer. Mas isso vai requerer se desapegar de grandes números, afinal quantidade nem sempre é qualidade, e isso serve pra redes sociais também.


O lado bom de números menores é que tem mais chances desses seguidores serem realmente interessadas, de elas reagirem orgânicamente ao seu conteúdo e eventualmente você ir ganhando espaço em um nicho.


Um dia eu ouvi algo como "quando uma banda toca covers é legal e serve para prática, mas não é criativamente gratificante". Praticar é importantissimo, encontrar obras que você admira e saber que é capaz de chegar nessa qualidade técnica, mas em algum momento é natural ir além, querer mais.


Quando a gente entende como as coisas funcionam (nesse caso algoritmos) é mais fácil fazer escolhas claras. E a pergunta que fica é: o que você quer com a sua arte?

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